Em toda viagem para Portugal, você se sente um pouco em casa. A língua é a mesma (com algumas diferenças divertidas, é verdade), vários pratos que chegam à mesa são familiares, e a História portuguesa se funde à do Brasil em muitos capítulos.
Em meio a tanto o que fazer em Portugal está visitar as testemunhas vivas desse passado em comum, presentes em muitos monumentos e na arquitetura – como no bairro de Belém, em Lisboa, de onde saíram as embarcações rumo ao Novo Mundo.
Mas o lado moderno do país também é imponente, e convive lado a lado com as tradições. É o caso, ainda no bairro de Belém, dos intrigantes edifícios do MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) e do Museu Nacional dos Coches e, no Porto, da Casa da Música. Em ambas as cidades, há também muitos espaços revitalizados e criativos que abrigam lojas, galerias, bares e restaurantes – e não podem faltar em um roteiro de viagem a Portugal.
Na hora de planejar seu roteiro, vale lembrar que dá para ir muito além de andar de bondinho pelas ladeiras de Lisboa e experimentar os melhores vinhos portugueses no Porto.
Portugal recompensa quem reserva um tempo para conhecer outros destinos. As praias do Algarve, no sul, rodeadas de falésias avermelhadas e com mar de diferentes tons de azul, valem tanto a visita que nem a multidão de turistas no verão ou o frio no inverno ofuscam as suas belezas.
Cidades importantes para cristãos, como Fátima, Nazaré e Braga, tornam-se atrações para todos os públicos nas tradicionais celebrações da Semana Santa, em abril. E o charme das vilas e vinícolas do Alentejo, somado à fartura de comidas em ótimos restaurantes, proporcionam uma viagem deliciosamente autêntica.
Uma coisa é certa: Portugal é legal – ou, como dizem os portugueses, fixe!
Quando ir?
Portugal é um destino para ser visitado o ano todo, com clima mais ameno que em outros países da Europa. Para curtir as praias no Algarve, a melhor época é o verão (de junho a setembro), mas prepare-se para lotação e preços de alta temporada. Na primavera (abril a junho) e no outono (setembro a novembro), as temperaturas são agradáveis, os preços mais em conta e as cidades não estão tão lotadas.
Para onde quer que se olhe, em Portugal, sempre há alguma construção histórica que remete ao rico passado da terrinha, que já foi dominada por romanos, mouros e cristãos – como se aprende na visita ao Castelo de São Jorge, em Lisboa.
A Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos exaltam a época das Grandes Navegações, e o Mosteiro dos Jerônimos, Patrimônio da Humanidade, guarda os túmulos de grandes personalidades portuguesas, como Fernando Pessoa, Vasco da Gama e Luís de Camões.
Há, também, cidades inteiras que são patrimônio – como as medievais Évora (Alentejo) e Óbidos (Estremadura). Em Sintra, a menos de uma hora de Lisboa, as principais atrações são o centro histórico e o Palácio Nacional da Pena.
Quem vai a Coimbra, a pouco mais de 200 km da capital, tem a oportunidade de conhecer a primeira universidade portuguesa e uma das mais antigas da Europa. E quem é católico devoto pode incluir no roteiro uma visita ao Santuário de Fátima e a Igreja da Santíssima Trindade e, em Braga, conhecer a Sé mais antiga do país. Fátima e Braga estão, respectivamente, a 130 km e 360 km de Lisboa.
Vale separar um tempo para visitar alguns museus em Lisboa, como o Museu Nacional de Arqueologia, o Museu Nacional do Azulejo e o Museu do Fado, que apresentam detalhes da rica história e cultura portuguesa.

Em uma viagem a Portugal não faltarão sabores autênticos. Por todo o país, o que não faltam são receitas deliciosas com pescados frescos, frutos do mar e, claro, bacalhau. O Bacalhau à Bras é um clássico feito com ovos, azeitonas pretas, cebola e batata palha, e as amêijoas à Bulhão de Pato são cozidas em uma mistura de alho, cebola, azeite, coentro e vinho branco.
No Porto, experimente a francesinha, clássico sanduíche com linguiça, salsicha, fiambre e carne, coberto com queijo derretido e molho de tomate e cerveja. No Alentejo, não perca a carne de porco à alentejana, preparada com amêijoas, alho, louro, vinho branco e batatas.
Não importa se em uma tradicional tasca (bares que servem comidas típicas de Portugal), em um restaurante estrelado ou nos estandes do Mercado da Ribeira, em Lisboa: pode ter certeza que você vai se esbaldar.
As refeições, é claro, ficam ainda mais especiais quando regadas a vinhos produzidos no país. O famoso vinho do Porto é originário do Vale do Douro, onde terraços de cultivo se espalham à beira do rio. Já os vinhos frescos e frutados fazem sucesso no Alentejo. A uva Tinta Roriz (a mesma que é chamada, na Espanha, de Tempranillo) é cultivada na zona montanhosa do Dão, e os vinhos verdes são a sensação do norte de Portugal.
No verão, principalmente, é época de se deliciar com as sardinhas, que se espalham pelos menus de restaurantes, e também por barracas e churrasqueiras de rua. No resto do ano, pode-se recorrer às sardinhas em conserva: as latinhas são tão lindas que rendem um ótimo souvenir.
E ainda tem os doces, uma instituição portuguesa, feitos com ovos, natas, amêndoas… Não deixe de experimentar o célebre pastel de nata (só podem ser chamados de “pastel de Belém” aqueles vendidos no bairro de Belém, em Lisboa) e o travesseiro de Sintra (massa folhada, bem fofinha, com recheio de creme feito com amêndoas, canela e gema).

O passado de Portugal está presente até em lojas – que valem a visita, mesmo que você não tenha planos de fazer compras. É o caso de duas lojas bicentenárias no Chiado, em Lisboa: a livraria Bertrand, de 1732 (a mais antiga do mundo, segundo o Guinness Book), e a Caza das Vellas Loreto, que se mantém desde 1789 sob o mesmo endereço e direção (a família Sá Pereira), vendendo velas artesanais de todos os tipos.
Mesmo lojas mais modernas, como as redes Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa e A Vida Portuguesa, vendem produtos ligados à cultura e às tradições da terrinha. Na primeira, conservas em lata super estilizadas estão expostas no ambiente mágico de tema circense característicos da rede, com unidades em Lisboa, Porto, Braga, Cascais e Sintra. Na segunda, com quatro endereços em Lisboa, há uma boa variedade de produtos charmosos (desde a embalagem) de perfumaria, papelaria, artesanato e brinquedos.
Em Lisboa, quem procura lojas de grife como Dolce & Gabbana e Gucci, pode esbanjar nas compras pela Avenida da Liberdade; quem quer gastar pouco deve rumar para o Freeport Outlet; e quem prefere antiguidades não pode perder a Feira da Ladra às terças e aos sábados. Já os descolados batem ponto no LXFactory, complexo industrial reformado que abriga ateliês, lojas de moda e design, cafés, restaurantes, livraria, balada, hostel e até mercado de pulgas aos domingos.

É no Algarve, sul do país, que estão as praias mais bonitas e famosas de Portugal – principalmente entre Lagos e Albufeira. As praias da Dona Ana, do Camilo e dos Três Irmãos são imperdíveis para admirar o mar em tons incríveis de azul e paisagens lindas esculpidas em formações rochosas – tudo super instagramável. Os centros históricos das cidades mais preservadas são formados por casinhas brancas, que viram ponto de agito no verão.
A região do Alentejo também tem praias, que são mais amplas e desertas – é a chamada Costa Vicentina. Quem curte as ondas gigantes não pode deixar de passar por Nazaré no inverno, época que ocorrem os campeonatos de surfe na cidade. Considere também as ilhas de Açores e Madeira, destinos de praia cada vez mais contemplados nos roteiros por Portugal.

A capital portuguesa tem de bares discretos a rooftops, de baladas grandiosas de música eletrônica a bares alternativos com pistas de dança escondidas. O bairro Alto e o Cais do Sodré são centros da vida noturna da cidade.
Muitas baladas só engatam depois das duas da manhã, mas você pode começar a noite lisboeta experimentando uma ginjinha (licor doce feito de ginja, fruta parecida com a cereja), pulando de tasca em tasca ou curtindo um fado em lugares como a Parreirinha de Alfama ou a Tasca do Chico no Bairro Alto. E, se continuar com pique, esticar a noite nas casas noturnas.
No Porto, curte-se a vida noturna pelos bares da Ribeira, com direito a belas vistas para o Rio Douro e para a cidade de Vila Nova de Gaia. Na região do Algarve, as cidades de Albufeira e Lagos concentram o agito e não dormem no verão.


A capital portuguesa tem muitas atrações imperdíveis e repletas de história, espalhadas por diversos bairros. Na Alfama, onde nasceu o fado, esta o Castelo de São Jorge, com vistas sensacionais para a cidade. Belém abriga o Mosteiro dos Jerônimos, a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos - e, mais recentemente, ganhou o incrível Museu da Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) e a nova encarnação do Museu dos Coches.
O Oceanário, segundo maior do mundo, fica no Parque das Nações. Entre cartões postais de Lisboa, estão a Praça Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade, que foram palco de muitos fatos históricos que levaram à Proclamação da República Portuguesa, em 1990.
Para completar, tem o agito no Bairro Alto e no Cais do Sodré, os bondinhos percorrendo as ladeiras, os 'miradouros' e os imperdíveis pastéis de nata.

Perder-se pelas lareiras íngremes do centro do porto, admirando as varandas com flores e varais com roupas penduradas, os azulejos, o comércio e as igrejas já é um passeio por si. Mas algumas paradas são obrigatórias, como a moderna Casa da Música (projetada pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas), a Torre de Clérigos (para admirar a vista panorâmica da cidade e o rio Douro depois de enfrentar cerca de 240 degraus), a igreja de São Francisco (repleta de ornamentos revestidos de ouro) e a livraria Lello (que serviu de inspiração para a saga de Harry Potter).
E claro, a Ribeira, com um passeio até Vila Nova Gaia, na outra margem do rio Douro, visitando as caves de vinho do Porto. Dica: reserve também um tempo para conhecer as vinícolas que formam belas paisagens no Alto Douro.

Entre o rio Tejo e o Algarve, a região guarda cidadezinhas medievais preservados, como Évora, castelos e igrejas históricos, campos de oliveiras e mais de 250 produtores de vinho, que aproveitaram o solo fértil da região. é um destino incrível para quem ama vinho, com abundância em de tours e degustações em diferentes vinícolas, como a de Herdade do Esporão e Hedade do Mouchão.
Na costa, há praias mais desertas e selvagens que as do Algarve. À mesa, não deixe de experimentar receitas clássicas, como açorda á alentejana (sopa que, ao invés de ser cozida, junta água quente fervente, fatias de pão, azeite, alho e ervas como coentro e poejo), e a sericaia, doce feito com leite, açúcar, ovos e canela.

É a região de praias mais bonitas de famosas de Portugal, esculpidas em meio a imponentes falésias avermelhadas, formando grutas e cavernas que podem ser visitadas a partir das praias. Algumas, como a famosa Algar (gruta) de Benagil, só são acessíveis de barco (ou remando um caiaque ou satand up paddle) pelas águas cristalinas. A dica é alugar um carro para ir parando para desbravar todas as prainhas. Em Lagos, as praias da Dona Ana e do Camilo são paradas obrigatórias antes de aproveitar os bares e restaurantes da cidade. Uma vez em Albifeira, você tem a oportunidade de jantar no restaurante do hotel Vila Joya, que ostenta duas estrelas pelo Guia Michelin. Para quem curte surfe ou golfe, o Algarve também é um prato cheio.

Vale fazer o bate-volta clássico de Lisboa para conhecer a histórica Sintra. A cidade é envolta de montanhas e florestas, o que confere uma aura de charme aos palácios e castelos: o Palácio Nacional da Pena (eleito uma das sete maravilhas de Portugal), a Quinta Regaleira ( com destaque para a escadaria espiralada do poço da capela, que lembra uma torres invertida), o Castelo dos Mouros (fortificação com belas visitas para o Palácio de Pena e a vila de Sintra) e o Palácio Nacional de Sintra (antiga residência de reis e rainhas portugueses).
Há quem emende esse passeio com uma visita a Estoril, para conferir o seu famoso cassino, ou Cascais, cidade litorânea preferida da elite lisboeta.

declarada Patrimônio Histórico pela Unesco, Coimbra respira cultura. A cidade pulsa com os estudantes da tradicional Universidade de Coimbra - que foi fundada em 1290 e se estabeleceu às margens do rio Mondego em 1537.
Entre os prédios estão a Biblioteca Joanina, com mais de 300 mil obras, a Sala dos Capelos, onde se realizam as cerimônias acadêmicas mais importantes, e a Capela de São Miguel que tem um órgão barroco decorado com motivos chineses com mais de 2.000 tubos ainda em funcionamento.

No principal ponto de peregrinação católica de Portugal, você tera oportunidade de visitar o Santuário de Fátima e a Basílica de Nossa Senhora de Fátima, de estilo barroco, onde estão os túmulos dos pastorinhos que, segundo a história, teriam visto a Virgem Maria em 1917. No roteiro de viagem, visite ainda a Capela das Aparições e a Igreja da Santíssima Trindade, de arquitetura imponente.

Bem preservada e cheia de charme, essa cidade medieval em, entre os seus principais pontos turísticos, a Capela dos Ossos, com paredes repletas de crânios e ossos humanos. Considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a cidade teve origem quando foi conquistada por romanos em 59 a.C - e guarda, desse período, as ruínas do Templo Romano de Diana. Repleta de estudantes por causa da universidade que abriga, é também destino-base para quem quer visitar as vinícolas de Alentejo e participar de degustações.
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